Um ataque terrorista a um show orquestral em Kiev dá início às 2h30 de Tenet, em uma das diversas localizações que aparecem no filme. Há, ainda, Mumbai, Londres, Oslo Nápoles, Vietnã e Sibéria. E, em pouco tempo de uma sequência repleta de ação, já começam as mais diversas perguntas sobre o que está acontecendo ali e sobre quem são os mocinhos e os vilões.
A trama toda se baseia nessa ideia de espiões à lá James Bond (007) e Ethan Hunt (Missão Impossível) e, se não fosse tão confusa, poderia ser apenas mais um filme de ação incrivelmente bem produzido tecnicamente. Christopher Nolan, porém, coloca seu fascínio pelo tempo em prática logo no início, e inclusive brinca com o telespectador: “Não tente entender, e sim sentir”.
O Protagonista (John David Washington), assim identificado no filme, é recrutado por uma organização misteriosa, chamada Tenet, para participar de uma missão de escala global. Após o ataque terrorista em Kiev, ele recebe a informação de que ele havia passado no teste – teste esse que não é revelado ao telespectador – e, então recebe sua próxima missão: impedir que Andrei Sator (Kenneth Branagh), um renegado oligarca russo com meios de se comunicar com o futuro, inicie a Terceira Guerra Mundial.
A não-linearidade do espaço e tempo não funciona apenas de modo abstrato, mas também prático e visual: tiros e explosões que acontecem de trás para frente, como se estivessem vindo do futuro. E, durante toda a longa duração do filme, cena de ação é o que não falta.
Em Tenet, se o roteiro sobre a guerra do futuro contra o passado em si estivesse à altura da técnica executada para representá-lo, teríamos uma obra de arte que atrairia ainda mais pessoas ao cinema. Pelo bem ou pelo mal, devido ao momento em que estamos vivendo, não parece ser isso o que vai acontecer. Ainda assim, é uma produção que vale a pena ser assistida, mesmo que não agora. Afinal de contas, o tempo é relativo e nem sempre linear.
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