Em tempos de Vacina, que tal falarmos de um ícone dessa área?
Carlos Ribeiro Justiniano Chagas nasceu a 9 de julho de 1878, na Fazenda do Bom Retiro, interior do estado de Minas Gerais. Foi o primeiro dos quatro filhos de José Justiniano Chagas e Mariana Cândida Ribeiro de Castro Chagas.
Aos
oito anos, foi matriculado no Colégio São Luís, internato dirigido por jesuítas
e localizado em Itu, interior de São Paulo. Em maio de 1888, ao ouvir boatos
sobre escravos que estariam depredando fazendas, Chagas, preocupado com a
família, abandonou o colégio e foi ao encontro de sua mãe. A atitude do rapaz
foi mal interpretada pelos jesuítas e ele foi expulso do Colégio São Luís.
O
menino foi estudar no Colégio São Francisco, em São João Del Rey, interior de
Minas. Ali demonstrou interesse pelas ciências, especialmente por história
natural, botânica e zoologia.
Uma
pessoa que teve papel decisivo em sua vida foi seu tio Carlos, que o incentivou
a ser médico, contrariando o desejo de Dona Mariana, que queria que ele
seguisse a profissão de engenheiro.
Em
1897, Chagas ingressou na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, onde duas
personalidades foram essenciais à sua formação: Miguel Couto e Francisco
Farjado. Com o primeiro, aprendeu a prática da clínica médica, mantendo
estreita relação de amizade, que levaria o estudante de Medicina ao encontro
com Oswaldo Cruz, seu futuro orientador. Com Francisco Farjado, Chagas estudou
doenças tropicais, em especial a malária, tema que seria aprofundado em
pesquisas realizadas no Instituto de Manguinhos.
Em
1903, após ter defendido sua tese de doutoramento, Chagas foi convidado a
integrar o quadro de pesquisadores do Instituto dirigido por Oswaldo Cruz. No entanto,
em 1904, o jovem médico preferiu trabalhar com a clínica médica, no Hospital de
Jurujuba, destinado ao isolamento de vítimas da malária. No mesmo ano, casou-se
com Íris Lobo com quem teve dois filhos, Evandro Chagas e Carlos Chagas Filho.
Em
1905, Chagas recebeu a missão de controlar a epidemia de malária em Itatinga,
interior de São Paulo. A campanha de profilaxia antiamarílica, dirigida pelo
jovem pesquisador, conseguiu em pouco tempo controlar o surto no estado.
Em
fins de 1907, Carlos Chagas viajou para Lassance, norte de Minas, onde a
malária devastava o acampamento dos trabalhadores da E. F. Central do Brasil.
Instalou sua “casa” e seu “laboratório” em um vagão de trem. Ali, pesquisou os
insetos hematófagos – barbeiros – alojados nas paredes de pau-a-pique das
moradias. Encontrou neles um novo parasito, que chamou de Trypanosoma cruzi, em
homenagem a Oswaldo Cruz.
Com
a morte de Osvaldo Cruz em 1917, Chagas foi convidado a assumir a direção do
Instituto de Manguinhos. No ano seguinte, chefiou a campanha contra a epidemia
de gripe espanhola, que assolava o Rio de Janeiro. Sua incansável atuação na
luta contra a enfermidade pesaria decisivamente na escolha de seu nome para
dirigir a reforma dos serviços de saúde pública do país a partir de 1919.
Designado
chefe do Departamento Nacional de Saúde Pública (DNSP), criou diversos serviços
especializados de saúde, como os de Higiene Infantil, Combate às Endemias
Rurais, Combate à Tuberculose, à hanseníase, às doenças venéreas. Criou ainda
escolas de enfermagem e estabeleceu a formação de médicos sanitaristas. Em 1925
foi nomeado professor da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Lá, criou a
cadeira de moléstias tropicais e estabeleceu as bases do estudo de higiene em
nosso país. Além disso, Carlos Chagas representou o Brasil em vários comitês
internacionais, principalmente como membro permanente do Comitê de Higiene da
Liga das Nações.
Carlos
Chagas faleceu em 8 de novembro de 1934, vítima de morte súbita.


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