Embora os detalhes da vida de Cabral sejam esparsos, sabe-se que veio
de uma família nobre colocada na província interior e recebeu uma boa
educação formal.
Foi nomeado para chefiar uma expedição
à Índia em 1500, seguindo a rota recém-inaugurada por Vasco
da Gama, contornando a África. O objetivo deste empreendimento era
retornar com especiarias valiosas e estabelecer relações comerciais na Índia —
contornando o monopólio sobre o comércio de especiarias, então nas mãos de
comerciantes árabes, turcos e italianos. Aí sua frota, de
13 navios, afastou-se bastante da costa africana, talvez intencionalmente,
desembarcando no que ele inicialmente achou tratar-se de uma grande ilha à qual
deu o nome de Vera Cruz (Verdadeira Cruz) e a que Pêro Vaz de
Caminha faz referência. Explorou o litoral e percebeu que a grande massa
de terra era provavelmente um continente, despachando em seguida um navio para
notificar o rei Manuel I da descoberta das terras. Como o novo
território se encontrava dentro do hemisfério português de acordo com
o Tratado de Tordesilhas, reivindicou-o para a Coroa Portuguesa.
Havia desembarcado na América do Sul, e as terras que havia reivindicado para
o Reino de Portugal mais tarde constituiriam o Brasil. A
frota reabasteceu-se e continuou rumo ao leste, com a finalidade de retomar a
viagem rumo à Índia.
Cabral foi mais tarde
preterido quando uma nova frota foi reunida para estabelecer uma presença mais
robusta na Índia, possivelmente como resultado de uma desavença com Manuel I.
Tendo perdido a preferência do rei, aposentou-se da vida pública, havendo
poucos registros sobre a parte final de sua vida. Suas realizações caíram no
esquecimento por mais de 300 anos. Algumas décadas depois da independência do
Brasil de Portugal, no século XIX, a reputação de Cabral começou a ser
reabilitada pelo Imperador Pedro II do Brasil. Desde então, os historiadores têm discutido se Cabral
foi o descobridor do Brasil e se a descoberta foi acidental ou intencional. A
primeira dúvida foi resolvida pela observação de que os poucos encontros
superficiais feitos por exploradores antes dele mal foram notados e em nada
contribuíram para o desenvolvimento e a história futuros da terra que se
tornaria o Brasil, única nação das Américas onde a língua oficial é o português. Quanto à segunda questão, nenhum consenso definitivo
foi formado e a hipótese de descoberta intencional carece de provas sólidas.
Não obstante, embora seu prestígio tenha sido ofuscado pela fama de outros
exploradores da época, Cabral é hoje considerado uma das personalidades mais
importantes da Era dos Descobrimentos.
Apesar da perda dos favores do rei, Cabral
conseguiu um vantajoso casamento em 1503 com D. Isabel de Castro, uma nobre mulher rica e descendente do rei D. Fernando I. Sua mãe era irmã
de Afonso de
Albuquerque, um dos maiores líderes militares de
Portugal durante a Era dos Descobrimentos. O casal teve pelo menos quatro
filhos: dois meninos (Fernão Álvares Cabral e António Cabral) e duas meninas (Catarina de Castro e Guiomar de
Castro) Também teriam tido outras duas filhas, chamadas Isabel e Leonor,
de acordo com outras fontes, que dizem também que Guiomar, Isabel e Leonor
foram admitidas em ordens religiosas. O
primogênito Fernão teria sido o único dos filhos de Cabral a lhe dar herdeiros,
uma vez que António morreu em 1521 sem se casar. Afonso de Albuquerque
tentou interceder a favor de Cabral e, em 2 de dezembro de 1514, pediu para D.
Manuel I perdoá-lo e permitir seu retorno à corte, mas não obteve êxito.
Sofrendo de febre recorrente e um tremor (possivelmente resultado de malária) desde sua viagem. Cabral se retirou para Santarém em
1509. Passou seus últimos anos por lá. Somente informações esparsas estão
disponíveis sobre suas atividades durante aquele tempo. Segundo uma carta régia
datada de 17 de dezembro de 1509, Cabral tornou-se parte envolvida numa disputa
por uma transação de terras envolvendo parte da propriedade que lhe pertencia. Outra
carta do mesmo ano informa que ele iria receber certos privilégios por um
serviço militar não divulgado. Em 1518, ou talvez antes, foi elevado de fidalgo
a cavaleiro no Conselho do Rei, tendo direito a um subsídio mensal de
2 437 reais. Isto se somava à pensão anual concedida a ele em 1497,
que ainda estava sendo paga. Cabral morreu de causas não especificadas,
provavelmente em 1520, e foi enterrado no interior da Capela de São João
Evangelista na Igreja do Antigo Convento da Graça de Santarém.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Pedro_%C3%81lvares_Cabral#:~:text=Pedro%20%C3%81lvares%20Cabral%20(Belmonte%2C%201467,%2C%20reivindicando%2Da%20para%20Portugal.

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