HISTÓRIA DOS BANHOS
Em plena pandemia, podemos dizer que
uma das coisas que mais temos aprimorado são os hábitos de higiene. Lavar as
mãos com mais freqüência, uso de máscaras, uso de álcool 70%, hipoclorito de
sódio, banhos entre outros. Na nossa coluna Coletânea de hoje, vamos falar como ao longo da história o ser
humano foi se apropriando de um hábito que hoje é rotineiro: o banho. Atualmente, o desenvolvimento
tecnológico e medicinal nos passa uma falsa impressão de que o hábito de tomar
banhos, assim como outros cuidados com a higiene pessoal, se aprimorou
linearmente com o passar do tempo, mas não foi bem assim que aconteceu. Houve períodos e civilizações onde ele era
comum e em outros períodos e culturas nem tanto. Vale lembrar que quando os
portugueses chegaram ao Brasil se intrigaram com o fato de os nativos se
banharem diversas vezes ao dia.
“Entre os antigos egípcios é onde
encontramos os mais antigos relatos sobre o hábito de se tomar banho. Segundo
documentos de mais de 3000 anos, o
ato de tomar banho era sagrado e parecia ser uma forma de purificar o espírito
do indivíduo. Não por acaso, eles tomavam cerca de três banhos em um só
dia. Para muitos especialistas, o ritual acabou afugentando essa civilização de
várias epidemias e pragas comuns à Antiguidade.”
“Na lendária civilização cretense, os banhos faziam parte dos intervalos que
ordenavam a realização de banquetes. No decorrer da Antiguidade, os romanos, visivelmente influenciados
pela cultura grega,
ampliaram a recorrência do hábito realizando a construção das famosas termas.
Uma terma consistia em um edifício repleto de vários salões que contavam com
vestiários, saunas e diversas piscinas. Ligeiramente semelhantes aos resorts do
mundo contemporâneo, algumas dessas construções romanas também contavam com
bibliotecas, jardins e restaurantes.
Se no Império Romano as pessoas não
tinham o menor pudor de se banharem nesses locais públicos, na Idade Média a coisa mudou
bastante de figura. O papa Gregório
I foi um dos mais importantes precursores do repúdio ao banho ao dizer
que o contato com o corpo era via mais próxima do pecado. Dessa forma, o tomar
banho se transformou em uma atividade anual e acontecia em um simples barril de
água. Fora disso, os asseios diários eram feitos pelo uso de panos úmidos. Se
no Ocidente a moda do banho estava em baixa, os povos orientais trataram de
manter o hábito bem ativo entre os seus comuns. Nos países de origem turco-árabe
temos ainda hoje as hamans,
luxuosas casas de banho onde os muçulmanos tomam banho, depilam, passam por
sessões de massagem, branqueiam os dentes e se maquiam. Nos séculos XVI e XVII,
as noções de saúde e doença mais uma vez se tornou uma afronta ao hábito de se
tomar banho regularmente. Nessa época, os médicos acreditavam que as doenças
consistiam em manifestações malignas que tomavam o corpo do indivíduo por meio
de suas vias de entrada. A partir dessa premissa, a classe médica concluiu que
o banho em excesso alargava os poros da pele e, com isso, deixava o sujeito
suscetível a uma doença. Somente no século seguinte, com a ascensão da ciência
iluminista, que o banho foi redimido como um meio de se cuidar da saúde.
Contudo, as várias décadas de uma cultura avessa ao contato do corpo com a água
conseguiu manter certa resistência ao banho. Em vários relatos do século XIX,
temos a descrição de doentes que foram obrigados a tomar banho à força.
A
popularização do banho só aconteceu de fato no Ocidente a partir da década de
1930. Nessa época, a lavagem do corpo era realizada aos sábados, mesmo dia
em que as peças íntimas das crianças eram trocadas. Após a Segunda Guerra Mundial, o processo de
reconstrução de várias casas permitiu que os chuveiros fossem disseminados por
toda a Europa. Atualmente, nosso banho deixou de ser um ato público, mas ainda
é premissa fundamental para que os outros tenham uma boa impressão de nós.”
Portanto, é fundamental que mantenhamos o hábito do banho, principalmente
quando sairmos em ambiente externo e retornarmos às nossas casas. Prevenção
ainda é o melhor caminho! Por Cintia Lopes.
O banho tem uma
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